Da arte de dar nome aos blogs

Acho que o mais difícil foi arrumar um nome. Algumas coisas são difíceis de nomear. A maior parte dos meus poemas, por exemplo, seguem inominados desde sua gênese. Muitos objetos espaciais também não têm exatamente um nome, os astrólogos astrônomos seguem uma formulinha pra indicar que pedra é aquela que está a trocentos anos-luz desse pálido ponto azul que habitamos. Em biologia usa-se uma classificação especial pra dar nomes às coisas e isso só fica fácil porque também se usa uma formulinha.

Essa é a Utricularia australis. Bonitinha, né? Essa é a Utricularia australis. Bonitinha, né?

A gente aprende em aula de Linguística que o signo é arbitrário. Existe uma ironia deliciosa nessa afirmação, mas como eu não quero espantar os leitores já no primeiro texto eu não vou estender a nerdice linguística muito além disso: o signo (o linguístico, não essa bobagem de astrologia) é a combinação de uma coisa e o nome que a gente dá pra ela. E o nome pode ser qualquer um. Essa flor fofa aí de cima pode ser chamada de Pafúncia que vai continuar sendo uma flor fofa.

Mas isso também não significa que esse blog que você está lendo poderia se chamar Repolho Quântico e tudo bem. Esse negócio de arbitrariedade do signo só funciona quando uma coisa tem que ser nomeada pela primeira vez. Depois que o signo se estabelece ele serve pra dar sentido a outras coisas. Repolho é um vegetal e quântico é um nível que nem os físicos entendem direito, que dirá os malucos que oferecem cura quântica tomando água quântica de um filtro quântico. Pura bobagem quântica. Mas divago. Repolho Quântico não servia como nome.

Repolho quântico: pelo menos o logo já tava pronto.
Repolho quântico: pelo menos o logo já tava pronto.

Mas o que servia?

Foram três dias pensando num nome, nada estava bom, mas daí eu sugeri uma palavra, no outro dia o Leo sugeriu outra e FLASH! BANG! ALAKAZAM! parece que deu certo! 😀

Desvio, porque desviar da rotina é mais legal que fugir da rotina, por exemplo, e indefinido é autoexplicativo (ou quem sabe um dia o Leo explica).

Aqui a gente vai escrever de tudo. Bom, quase tudo. Não tem tema, não tem pauta, tem só uma equipe engajada em postar um monte de coisas que acha legais e colocar tags pra tentar organizar a bagunça um pouco.

Assim sendo, eu e o outro doido que manda nessa joça damos as boas vindas a você, leitor, que nem imagina que eu tô lutando pra não citar o Baudelaire agora. Eu prometi que ia limitar a nerdice a signo e nem venha perguntar qual é o meu ascendente.

É leão, mas finja que eu não escrevi isso.